Fundador

Pai espiritual de uma multidão e da Fraternidade Mariana do Coração de Jesus

Além de sacerdote, orientador espiritual dos seminaristas, conselheiro de uma multidão de pessoas que chegavam todos os dias em sua casa, construtor de igrejas, grutas e capitéis em louvor a Maria, professor, pregador de retiros, ele teve uma inspiração de formar um grupo de moças professoras que fossem, no seio da comunidade, como leigas, fermento na massa, e vivessem o evangelho. Fundou então a Comunidade da Fraternidade Mariana do Coração de Jesus.

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Ir. Miriam L Demarchi, Ir. Teresinha Marcelino,     Ir. Neide E. Girolla (co-fundadora), Padre Aloísio, Ir. Zenaide Araujo e Ir. Edena M Bittencourt

A partir do dia dois de agosto de 1974, numa primeira sexta-feira do mês, o grupo iniciou a vida em comunidade. Eram quatro jovens, professoras e estudantes. Formadas por Pe. Aloísio, scj, e em torno ao sacrário, o grupo hauria e continua haurindo forças para viver a vida espiritual, fraterna e de trabalho, no espírito de amor, reparação e misericórdia.

Com a chegada de novos membros, a vida foi-se consolidando, mediante intensa vida de oração, missa, adoração, leitura espiritual, devoção mariana, dias de recolhimento e frequentes palestras e reflexões de Padre Aloísio Boeing, scj.

O trabalho constituía-se em continuidade à vida de oração. Ativas, mas com dimensão contemplativa. Vida e ação, com dimensão Eucarística.

Os trabalhos iniciais da Fraternidade foram realizados junto aos sacerdotes, nas casas paroquiais, nas secretarias paroquiais, nas sacristias, na catequese e junto às famílias, nos serviços gerais das casas, e ainda nas escolas, como professoras.

As irmãs dedicam à oração, todo o tempo não ocupado no trabalho ou no descanso.  O sacrário é a meta para a qual tende todo o ser e todo o agir do grupo. Sem a união com o Coração Eucarístico de Jesus, qualquer ação torna-se pobre, estéril e fraca. “Sem mim, nada podeis fazer”! (Jo 15,5).

Inicialmente, a fundação não queria ser mais uma congregação religiosa, e sim, uma fraternidade de leigas consagradas, com vida comunitária. Aos poucos o grupo foi sentindo que deveria constituir-se numa comunidade de vida religiosa, com um mínimo de estruturas. Seriam assim, como que intermediárias entre a vocação leiga e a religiosa. No momento, perante a Igreja, a Fraternidade é uma associação pública de fiéis, reconhecida pelo Bispo da Diocese de Joinville.

Como filho de Padre Dehon, Pe. Aloísio, scj, transmitiu à Fraternidade a experiência de fé e de contemplação que viveu o seu fundador, junto ao Coração Eucarístico de Jesus. “Deixo-vos o mais maravilhoso de todos os tesouros, o Coração de Jesus” (Pe. Dehon).

O modelo central de vida para a Fraternidade Mariana do Coração de Jesus é a Família de Nazaré: “Jesus desceu, então com seus pais para Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração” (Lc 2,51). A família de Betânia: Lázaro, Marta e Maria, também é modelo inspirador para a Fraternidade.

Maria sempre foi a mãe, a amiga e a mestra das Irmãs.  Contemplando a vida de Maria, elas encontram a inspiração para o serviço desinteressado ao próximo. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, eis o teu filho!” Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe! A partir daquela hora, o discípulo a acolheu junto de si” (Jo 19,26-27). Com João, a Fraternidade Mariana do Coração de Jesus aprende a amar Jesus e a imolar sua vida pelos sacerdotes, religiosos e candidatos à vida sacerdotal e religiosa.

Toda a formação na Fraternidade será feita em estilo familiar e fraterno. O ideal a ser alcançado, será o de inflamar as Irmãzinhas com um amor esponsal a Cristo presente na Eucaristia, uma vivência filial com Maria, uma profunda vida fraterna e um amor misericordioso para com os irmãos.

Viver próximas ao povo, que busca Deus, no contato com a Fraternidade, é uma das metas. Outra é deixar-se guiar pelo Espírito Santo para que Ele conduza a Fraternidade ao fim para o qual ela foi chamada.

Num escrito de Pio XII e numa Instrução da Sagrada Congregação para os Religiosos e Institutos Seculares sobre o Adequado Renovamento da Formação para a Vida Religiosa (capítulo I,3), Padre Aloísio, scj, sentiu-se confirmado no modo como ele desejou a direção da Fraternidade Mariana do Coração de Jesus.

O texto diz o seguinte: “Contudo, além da vocação religiosa propriamente dita, o Espírito Santo não tem cessado de suscitar na Igreja, particularmente, nestes últimos tempos, numerosos Institutos, cujos membros, ligados, ou não, por algum vínculo sacro, se propõem viver a vida comum e pôr em prática os conselhos evangélicos, a fim de se dedicarem a diferentes atividades apostólicas ou caritativas. A Igreja sancionou e reconheceu a autenticidade dessas variadas formas de vida; mas elas não constituem o estado religioso ainda que, muitas vezes e até certo ponto, lhe tenham sido equiparadas quanto à legislação canônica”.

A Fraternidade teve seu início, sob a jurisdição de Dom Gregório Warmling, na época, Bispo Diocesano de Joinville. Em 26 de julho de 1994, foi constituída como Associação Pública de fiéis, por Dom Orlando Brandes, na época, Bispo da diocese de Joinville, conforme o Cânon 312,3 do Código de Direito Canônico.

Hoje conta com 13 membros Consagrados de Vida Comunitária, 5 membros Leigos Consagrados nas Famílias e 70 Leigos e Leigas unidos à Fraternidade sem laços de Consagração.

D. Orlando Brandes, bispo diocesano de Joinville, que acolheu a Fraternidade assim se expressou sobre a nova Comunidade, por ocasião da morte de Padre Aloísio: “O desejo do Padre Aloísio era a vida contemplativa com um toque especial na adoração reparadora. Como sabemos, a Eucaristia, o Coração de Jesus, Maria, a cruz foram os quatro pontos cardeais de sua espiritualidade que o tornou tão humano, tão eclesial, tão fraterno e tão santificado. Sua espiritualidade frutificou em humanismo, misericórdia, compaixão. Seus principais amores: os pecadores, os aflitos, os pobres e os sacerdotes. A Comunidade Mariana do Coração de Jesus, forte na contemplação, está designada a ser o Cirineu, a Verônica destes amores [1].”

 

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Elias D. dos Santos (fundador da Fraternidade Católica Arca da Aliança – Jlle/SC)

Muitos grupos novos, que vinham surgindo na Igreja, procuravam e ainda procuram a casa-mãe, em Nereu Ramos, para orientação espiritual. Muitos vinham para passar dias de retiro e formação com ele e entre si. Eis algumas dessas comunidades de Joinville: “Arca da Aliança”; “Vida Nova”; “Nova Jerusalém”. Há também dois grupos de Guaramirim os “Mensageiros da Luz” e “Bom Pastor”.



[1] BRANDES, Orlando, Carta Testemunho sobre a vida do Padre Oloísio Boeing, 2007 Arquivo da Fraternidade Mariana do Sagrado Coração de Jesus, Nereu Ramos, Jaraguá do Sul.